Evangelion, o relativismo e a epistemologia

13 09 2008
Evangelion - Logo

Evangelion - Logo

“Neon Genesis Evangelion (Japonês: 新世紀エヴァンゲリオン Shin Seiki Evangerion) é uma série de animação japonesa (anime) feita para televisão, produzida entre 1995 e 1997. Foi escrita e dirigida por Hideaki Anno, e produzida pelo estúdio Gainax.”

- Wikipedia

Você fraga Evangelion?

Se você respondeu: Ah, aquele desenho mistura de Jaspion e Power Rangers, você não fraga porra nenhuma. Neon Genesis Evangelion é muito mais inovador do que robozinhos trashs lutando e destruindo a cidade (embora pareça ser isso a primeira vista).

Pra começar, vamos dichavar o nome: Neon Genesis Evangelion, faz alusão claríssima ao Gênese bíblico – em um cenário extremamente evoluído, a humanidade luta contra seres chamados anjos pela sua sobrevivência. O primeiro deles, Adão, causou o Segundo Impacto (fofamente chamado no anime de Secondo Impacto – como o inglês dos japas é bonitinho *.*), que foi tipo um Big Bang versão 2.0. Resurgidos das cinzas (praticamente) o homo sapiens cria seres que são a imagem e a semelhança de Adão (os Eva, abreviatura de Evangelion) para reter a ameaça, se ela chegar a aparecer novamente.

Shinji e seu eva

Shinji e seu eva

É aí que entra Shinji Ikari. Os Evas, que tem 99.89% de semelhança DNAtica com os humanos, carecem de alma. Por isso, precisam de um piloto que consigam ter sincronia com eles, para lutarem. Shinji, filho do comandante da NERV (organização responsável pelos Evas), Gendo Ikari (que vai ser apelido de maldito muitas vezes por você durante a série), é a Terceira Criança, ou seja, um moleque hábil de pilotar o Eva, e que mostra (no final cê vai saber porque) uma sintonia anormal com o Evangelion 01.

Outros personagens importantes:

Rei Ayanami, a Primeira Criança.

Sua única afeição, se é que pode se dizer desse modo, é o pai de Shinji, e ele se esforça muito pra descobrir porque.

Apelidos: Boneca, albina.

Ayanami, Rei

Ayanami, Rei

asuka langley soryu

asuka langley soryu

Asuka Langley Soryu, a segunda criança.

No iníco ela parece uma patricinha mimada e irritante, mas sua história revela muito mais profundidade do que isso. Embora, pra mim, ela não deixe de ser irritante hora nenhuma.

Misato Katsuragi é a primeira pessoa que faz contato com Shinji. Ela aparece em praticamente todos os momentos do enredo. Ela é uma pessoa aparentemente tagarela e simpática, porém, em vários pontos do anime, o autor mostra a densidade da personagem.

Sob a alcunha de um alto cargo na NERV, Katsuragi esconde uma vida solitária. O fato de ela acordar de mal humor e se alegrar com sakê, de manhã, além de sua casa ser uma zona, são indícios menores disso. No decorrer da história, porém, o drama da personagem é explicitado em uma abrangência bem maior, sendo até meio assustador.

Ritsuko Akagi é a cientista mór da Nerv.

Ela É bizarra. Creia.

Na verdade, eu disse que Evangelion não é só um anime bobo de robozinhos gordos e barulhentos, porque, embora se pareça assim nos primeiros momentos, logo logo dá pra perceber que, na verdade, ele trata sobre os conflitos psicológicos do ser humano, e essa historinha de caos e destruição não é muito mais que uma fachada. Com 26 episódios, a reflexão que pode ser feita sobre ele é de uma vida inteira, pra falar o mínimo.

Em 95, 96, e 97 (3 anos consecutivos!) NGE ganhou o prêmio de melhor anime do ano. Em julho do ano passado, ele foi nomeado o melhor da história.

Isso se dá ao fato dele ser absurdamente SUGOI, SUGOI, SUGOI, SUGOI!Tanto que eu nem consigo parar de escrever sobre ele. Portanto, se você nunca assistiu, anda logo!

Ah, e o que isso tem a ver com relativismo? Se você tá estudando alguma dessas filosofias sei lá das quantas, sobre verdade relativa e absoluta, esse é o melhor material de estudo pra você. Anime TOTALMENTE, LOUCAMENTE relativista. Acho que daria até uma tese de mestrado :)

- Ma.





Árvores, sob diferentes pontos de vista.

30 04 2008

Oi!

Meu último post foi meio tenso. Na verdade eu só ia fazer uma introdução pra postar uma coisa engraçada que eu achei na net, mas as coisas começaram a fluir e acabou virando uma redação sobre orkut e preconceito. Por isso que eu gosto de blogar, posso escrever o que eu quiser >;-], muito legal.

Aliás, pra comprovar o post anterior, que a criatividade humana é uma coisa de louco, olha só o que achei nesse site, em que comparam os usos e visualizações de uma árvore (ou floresta) sob várias situações:

tolkien tree

Lsd vs alcohol

São váárias como essas…clique nas imagens pra entrar no site!





Um filme “ácido”

23 04 2008

The Doors

Alguém aí já assistiu o filme do The Doors?

Eu não. O que eu vi, ontem, foi o filme biográfico da vida do Jim Morrison, que acho que chamaram de The Doors só pra não ficar feio.

Jim Morrison

Antes de começar a história em si, o filme começa com um texto incrível, que parece que é o verdadeiro desfecho, “The End”. Narra-se a entrada em uma sala de cinema lotada, em que, em suma, os expectadores assistem a própria vida. “A sua vida daria um filme?”

Tudo começa com a família do Jim se mudando pra California, dirigindo no meio do deserto ao som de riders on the storm enquanto, de um lado da estrada, se depara com um acidente de índios em que há uma vítima fatal e uma mulher desesperada. A polícia local já estava lá, e, em suas palavras, “tudo estava sob controle”.

Muito interessante o diretor incluir essa passagem porque através dela é possível fazer várias inferências. O desrespeito do Jim pela autoridade, sua relação com a morte e a presença do shaman (curandeiro da aldeia) possivelmente vieram dali. Além disso, a mãe dele disse que era tudo um sonho, o que tornou essa cena, que de outra forma seria lugar comum, um poço de subjetividade e uma indicação de tudo o que viria a seguir.

“É tudo um sonho, Jim. Só um sonho”. Sua vida anterior foi um sonho, sua mãe, seu pai e sua irmã não existiram. Depois de deixar sua família, tudo anterior a sua vida de excessos deixou de existir.

O filme mostra o lado covarde do poeta e o lado impulsivo e sensível do homem inteligente, sem limites que não conseguia suportar as próprias emoções. “I am the Lizard King, I can do anything”.Ele tinha que transceder, tudo nele era demais. “Ride the snake”, não fuja dela. Abra as portas da conciência, além todo o conhecimento é infinito.

O filme inteiro parece toda uma viagem de doce. No meio dos shows uma tribo indígena tomava conta do palco junto com Jim. O músico afirmava que cada uma delas possuía seu próprio shaman, e que todos eram escravos do sistema. Mas com o tempo, o objetivo da banda que inicialmente era transceder os limites da mente com a sua música e com as drogas, foi se tornando cada vez mais comercial. O próprio Jim que antes queria viver tudo intensamente acabou bebendo e se drogando tanto pra fugir das suas emoções. A própria negação da família era uma forma de fugir. Ele dizia que a família havia morrido em um acidente de trânsito, o que mostra que aquele acidente que ele presenciou quando tinha 4 anos ainda queria dizer muito pra ele.

Jim Morrison and Pam

Jim tinha uma relação conturbada com Pam, a namorada de longa data, pois ambos não conseguiam levar o relacionamento aberto que tinham. Jim traia Pam constantemente, e ela revidava. Além disso o trieto Jim, Pam e LSD geralmente culminava em situações perigosas, como quando ela tentou acertar uma faca de cozinha nele porque ele tinha detonado o almoço que ela estava fazendo. “I killed your duck”, “Do you wanna see a death?”.

Quem assistir o filme e curtir um bom rock n’ roll não vai ver The Doors da mesma forma. Muitas das músicas tem uma história, geralmente “ácida”.

A resposta para a pergunta “A sua vida daria um filme?” se fosse dirigida a James Douglas Morrison deveria ser “Deu, um filme de 2:14 que é um rascunho do resumo da minha vida”.

Pena que a maioria dos grandes astros morrem cedo. De qualquer forma, antes 27 anos vivendo intensamente do que 100 na frente do computador.

“Como foi quando ela chegou, Jim?”

“No more money, no more fancy dress, This other kingdom seems by far the best.”

J.M.